domingo, 23 de março de 2008

Morre a grande dama da cultura capixaba


Demorou uma semana para que eu conseguisse me expressar diante desta perda. Quando a gente perde alguém tão querido uma revisão de vida torna-se necessária. Mas não é para falar de mim que me sento nesta noite de domingo... é para falar dela da minha estimada amiga Rosilda. Antes de mais nada eu preciso dizer a voceis que os legados nem sempre são grandes feitos. Aqueles como obras que esburacam a nossa cidade e atrapalham a nossa liberdae de ir e vir. Os grandes feitos na maioria das vezes são silenciosos. Como por exemplo, exercer com amor o contato com as pessoas. Digo pessoas de todos os tipos, ou como diriam alguns os filhos de Deus. Rosilda era uma mulher especial na casa dela ou em sua companhia eram todos bem-vindos. De uma forma compassiva ela valorizava o melhor de cada um e acolhia de maneira especial todos aqueles que não combinavam com os outdoors da cidade. O mesmo ela fazia com a cidade. Com seu dom especial ela revelava para nós, seus seguidores, as belezas que a periferia esconde dos preconceituosos. Moradora de Santo Antonio, era na sua casa amarela que recebia a fina nata dos talentos, para quem sempre fazia festa. De novo o tratamento era igual para todos, tanto para os desconhecidos quanto para os artistas revelados. No fundo de sua alma, ela sabia que era uma questão de tempo para a cidade acordar da hibernagem, do seu sono cultural.

O enterro de Rosilda fez -se um cortejo. Reuniu o prefeito, o gari, os artistas, os bebados, os poetas, a velha guarda do samba, os funcionarios públicos e a balconista. A todos ela chamava de meus queridos. Do coração de Rosilda brota uma verdadeira lição de humanidade ou se preferir podemos chamá-la de direitos humanos. Este é o legado que a dona da casa amarela, mãe, avó e amiga-companheira, nos herdou sem alardes. E a cidade continua dormindo...


Saudade
Foto: Eu, Jace, Miriam e Rosilda numa noite de celebração

Um comentário:

Unknown disse...

O Livro de Eclesiastes afirma enfaticamente que esta vida é tão passageira que as vezes não nos
damos conta disso.(Ec 3:20).
Rosilda esteve entre nós e sua
passagem deixou evidente que é possivel amar, celebrar e lutar pela vida a cada minuto, como se nao houvesse o proximo.
A nós, pequenos aprendizes, permanece a grande missao de viver essa vida com
"Saude, Amor e Arte".

Mara Bricio