domingo, 10 de fevereiro de 2008

Homenagem ao Poeta da Vila





Depois de assistir ao filme Noel - O poeta da Vila (2006), dirigido por Ricardo van Sten, resolvi homenagear ao sambista transcrevendo uma de suas belas composições que ele fez para sua amada Ceci, estrelada por Camila Pitanga. Conhecido como o filósofo do samba, Noel Rosa foi contemporâneo de Carltola e Wilson Batista. Compôs sambas memoráveis como Feitiço da Vila, Com que roupa e Palpite Infeliz. Apesar de ter se casado com Lindaura (1934) Noel viveu um torrido romance com Ceci, a dama do cabaré. Noel morre aos 26 anos vítima de tubeculose, deixando saudades na boemia carioca.

Último Desejo (1937)


Nosso amor que eu não esqueço, e que teve o seu começo
Numa festa de São João
Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete,sem luar, sem violão
Perto de você me calo, tudo penso e nada falo
Tenho medo de chorar
Nunca mais quero o seu beijo mas meu último desejo você não pode negar
Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga
Se você me quer ou não, diga que você me adora
Que você lamenta e chora a nossa separação
Às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto
Que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida
Que eu não mereço a comida que você pagou pra mim

Noel Rosa (1910-1937)

Um comentário:

Anônimo disse...

Falar de Noel Rosa, o poeta da vila, é motivo de orgulho e emoção.Qual o notívago - sem compromisso com o ofício de cantar-já não desafinou as suas inúmeras músicas, tentando esquecer ou querendo sofrer a perda de um grande amor? Bastava uma dose de qualquer coisa que tivesse álcool, para se inspirar, no dedilhar de um violão as notas de Noel, o eterno poeta e boêmio de Vila Isabel.

Parabéns pelo lançamento de Coisa de Preto, que, sem dúvida,vem para enriquecer a nossa cultura - a cultura brasileira.
MM