
16/05/2008 10:42
Dinha: preferida de famosos e mãe guerreira
Dinha: preferida de famosos e mãe guerreira
A sorridente Lindinalva Assis tornou-se uma figura símbolo do Rio Vermelho, bairro da capital baiana que ganhou fama como reduto da boemia. Mais conhecida como Dinha, a baiana de acarajé começou a trabalhar aos 7 anos de idade, como ajudante da avó, Ubaldina, três anos após a morte da mãe, Rute. Ubaldina escolheu, em 1944, o Largo de Santana para montar o primeiro tabuleiro da família.
Aos dez anos de idade, com a doença da avó, Dinha assumiu o posto. Aos poucos, foi conquistando o público e consolidou seu produto como “o melhor acarajé da Bahia”. Na década de 1980, começou a excursionar pelo país e chegou a levar o acarajé ao exterior, participando de eventos como representante das baianas de acarajé.
A partir de 1998, a já consagrada quituteira passou a se dedicar a outro empreendimento da família. O restaurante Casa da Dinha, localizado em frente à praça onde fica o tabuleiro, é fruto do trabalho que rendeu à baiana a criação dos três filhos - Eliana Claudia Assis Cruz, Elaine Michele Assis Cruz e Edvaldo da Cruz Júnior - e garantiu para o Rio Vermelho o título de “point do acarajé”.
Depois de anos de trabalho, Dinha pôde se considerar uma baiana aposentada. Sua filha mais velha, Claudia, assumiu o posto na Praça de Santana, onde chegou a vender uma média de 700 acarajés por dia, além de outras iguarias como abará, bolinho de estudante e cocadas. Cláudia é formada em Ciências Contábeis, mas fez do tabuleiro também sua profissão.
Clientes famosos - Antes de criar o restaurante, era na praça que Dinha recebia os clientes famosos que ajudaram a consolidar o seu nome. Pierre Verger, Chacrinha, Suzana Vieira, Dercy Gonçalves, Mário Cravo, Dorival Caymmi, Daniela Mercury, Carlinhos Brown e o senador Antônio Carlos Magalhães já passaram por lá.
Alguns famosos entraram não apenas na fila de clientes, mas no hall de amigos de Dinha, como os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai, o publicitário Nizan Guanes e a empresária do ramo de alimentação, Lícia Fábio.
A imagem que deixa para os amigos e familiares é de uma mãe guerreira que, sozinha, criou os três filhos, sempre com o ofício que aprendeu ainda na infância. A luta sempre fez parte de sua vida, o que a levou a superar o estigma da mulher negra, pobre e destinada ao fracasso.
Para toda a família, sempre foi considerada um porto seguro, e será lembrada como uma grande mãe. Para muitos funcionários que passaram pelo tabuleiro, também foi mãe, aquele que acolhe, acompanha, e vibra com o sucesso. Aos admiradores e "sobrinhos", que cativou sempre carinhosamente apelidando a todos de "meu filho", Dinha deixa a saudade do sorriso fácil e largo.
Clarissa Borges, do A TARDE On Line

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