Sheila Regina dos Santos Pereira, integrante da equipe pedagógica do Instituto Cultural Steve Biko (ICSB), é a grande vencedora do Prêmio Jovem Cientista 2007, que teve como tema Educação para reduzir as desigualdades sociais. O prêmio, que existe desde 1981, é um dos mais importantes da América Latina. Mantido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Grupo Gerdau e a Fundação Roberto Marinho, seu objetivo é revelar talentos e estimular pesquisas que apontem alternativas expressivas para problemas brasileiros. Nessa edição, concorreram centenas de trabalhos de todo o país, dedicados a investigar perspectivas factíveis de redução das iniquidades sociais, tendo a educação como vetor fundamental.
Com a pesquisa 'OGUNTEC: uma experiência de ação afirmativa no fomento à iniciação científica', orientada pelo professor Abraão Felix (Universidade Estadual da Bahia), Sheila realizou um estudo acerca da trajetória de 35 estudantes negros(as) no programa Oguntec, mantido pelo ICSB desde 2002. 'O trabalho é resultado do acompanhamento pedagógico desses estudantes, todos negros e oriundos de escolas públicas, entre os anos de 2005 e 2007. Nele, traçamos um paralelo entre o quadro social brasileiro e a realidade deles, suas limitações, êxitos, problemas com auto-estima, dificuldades de aprendizagem, dentre outros aspectos', expõe a jovem pesquisadora, vencedora da categoria graduado.
Formada em Estatística pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Sheila conhece muito bem a realidade do seu objeto de estudo. Estudante, negra, egressa da escola pública, ela também vivenciou na prática as agruras da falta de políticas de incentivo à produção do conhecimento entre os jovens, sobretudo negros e negras: 'No Brasil apenas 10% dos negros com menos de 30 anos têm formação superior completa. Isso é resultado de um longo processo de segregação e ausência de políticas efetivas voltadas para atender essa parcela da sociedade', enfatiza.
De malas prontas, ela viaja para Brasília no próximo dia 22 de outubro, quando participará da coletiva de apresentação à imprensa dos vencedores do prêmio. A cerimônia de premiação acontece em novembro, quando receberá o prêmio máximo dessa edição das mãos de ninguém menos que o Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.
Quando questionada sobre o que pretende fazer com os R$ 20 mil disponibilizados pela premiação, responde: 'Doar para o Instituto Steve Biko e seus projetos educativos. O instituto já possibilitou o ingresso de mais de mil estudantes ao ensino superior, eu sou um deles. Aqui, mais do que disciplinas, aprendemos a viver em co-responsabilidade e compartilhar com o coletivo os frutos que tivemos o privilégio de obter'. O vínculo de Sheila com ICSB deu-se em 2002, ainda como estudante de um outro projeto, o Pré-Vestibular Steve Biko. Depois de ingressar na universidade, retornou como voluntária da equipe pedagógica do programa Oguntec, do qual faz parte até hoje.
SOBRE O OGUNTEC
O Oguntec é um dos principais programas educativos do Instituto Steve Biko. Seu objetivo é fomentar e difundir a ciência e tecnologia entre estudantes de escolas públicas e possui como estratégia metodológica três eixos básicos de ação: Elevação da Escolaridade, Popularização da Ciência e Tecnologia e Inclusão Digital.
'Esses estudantes passam pelo mesmo tipo de dificuldade que enfrentei. Muitos chegam ao instituto e sequer têm coragem de se submeter ao exame vestibular, por julgarem algo totalmente distante de sua realidade. Foi isso que me impulsionou a realizar esse estudo, mostrar a forma como socialmente são construídos mecanismos que sabotam os sonhos desses jovens e a necessidade de políticas públicas efetivas para reverter essa realidade', ratifica a entrevistada.
Jordeson Nascimento, 19 anos, é um exemplo disso: 'Antes, não tinha muita perspectiva de cursar uma universidade, principalmente pública, mas ao ingressar na Biko entrei em contato com um processo de aprendizagem mais interativo e questionador, que nos faz mais austero. Então criei coragem e enfrentei o bicho-papão do vestibular. Hoje, sou estudante do curso de Arquitetura, da UFBA, e de Engenharia de Produção Civil, da UNEB', expõe o ex-estudante do Oguntec.
Fundado em 31 de julho de 1992, por estudantes universitários ligados ao Movimento Negro, o Instituto Cultural Steve Biko é uma organização não governamental sem fins lucrativos, que tem como missão promover a ascensão social da população negra através da educação e do resgate de seus valores ancestrais. Ao longo desses anos, o instituto participou ativamente de importantes conquistas sociais, como a institucionalização de ações afirmativas nas universidades públicas baianas e a fundação de programas como Diversidade na Universidade, do Governo Federal. Atualmente, o Steve Biko prepara-se para dar um grande passo no processo de consolidação de sua missão: construir uma instituição de ensino superior que valoriza a diversidade étnico-racial, contemplando os saberes e fazeres da cosmovisão africana e das suas diásporas na produção de conhecimento.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Renda de negros e pardos é menor que a metade da dos brancos, diz Ipea
Os negros e pardos, segundo os últimos dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Aplicada), têm renda per capita equivalente a menos da metade da renda dos brancos. Pelos dados estatísticos, se o ritmo de avanços por parte dos negros e pardos for mantido, a igualdade racial só ocorrerá em 2029. A solução, de acordo com os especialistas, está na execução de políticas públicas sociais.
"Nós temos um claro problema de desigualdade racial que tem relação com discriminação, racismo e preconceito. Mas os dados não tocam nessas questões", afirmou o diretor de Cooperação de Desenvolvimento do Ipea, Mário Theodoro.
Em seguida, Theodoro disse que "qualquer que seja a variável que está estudando, a população negra está sempre mais precária do que a média nacional, ou seja, a população branca. Sempre nós temos este mesmo resultado".
O diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abraão, lembrou ainda que lentamente as conquistas dos negros e pardos vêm ocorrendo. "Apesar do diferencial ainda existir, os negros estão tendo mais acesso ao ensino fundamental", afirmou. "Em geral negros, nordestinos e pobres têm uma situação [econômica] pior."
Para Theodoro, as melhorias registradas entre os negros resultam dos ganhos que a população brasileira teve como um todo. "Um conjunto de políticas seria benéfico para que os residuais entre negros e brancos fosse erradicado', afirmou o diretor.
Porém, os pesquisadores concluíram que há uma tendência de queda desta diferença econômica entre famílias brancas e negras, mas segundo Theodoro essa é uma análise "otimista". De acordo com ele, é otimismo porque a população negra costuma ter núcleos familiares maiores, portanto, essa tendência pode não se efetivar.
Os dados comparativos, envolvendo os anos 2006 e 2007, mostram redução no número de negros pobres e aumento do percentual de negros e pardos ricos. Para os pesquisadores, a falta de políticas de ação afirmativa reflete diretamente nas possibilidades de mudanças.
RENATA GIRALDI da Folha Online, em Brasília
"Nós temos um claro problema de desigualdade racial que tem relação com discriminação, racismo e preconceito. Mas os dados não tocam nessas questões", afirmou o diretor de Cooperação de Desenvolvimento do Ipea, Mário Theodoro.
Em seguida, Theodoro disse que "qualquer que seja a variável que está estudando, a população negra está sempre mais precária do que a média nacional, ou seja, a população branca. Sempre nós temos este mesmo resultado".
O diretor de Estudos Sociais do Ipea, Jorge Abraão, lembrou ainda que lentamente as conquistas dos negros e pardos vêm ocorrendo. "Apesar do diferencial ainda existir, os negros estão tendo mais acesso ao ensino fundamental", afirmou. "Em geral negros, nordestinos e pobres têm uma situação [econômica] pior."
Para Theodoro, as melhorias registradas entre os negros resultam dos ganhos que a população brasileira teve como um todo. "Um conjunto de políticas seria benéfico para que os residuais entre negros e brancos fosse erradicado', afirmou o diretor.
Porém, os pesquisadores concluíram que há uma tendência de queda desta diferença econômica entre famílias brancas e negras, mas segundo Theodoro essa é uma análise "otimista". De acordo com ele, é otimismo porque a população negra costuma ter núcleos familiares maiores, portanto, essa tendência pode não se efetivar.
Os dados comparativos, envolvendo os anos 2006 e 2007, mostram redução no número de negros pobres e aumento do percentual de negros e pardos ricos. Para os pesquisadores, a falta de políticas de ação afirmativa reflete diretamente nas possibilidades de mudanças.
RENATA GIRALDI da Folha Online, em Brasília
domingo, 20 de julho de 2008
Mova Caparaó - cidadania e meio ambiente

Apesar do frizinho de 7 graus, a pequena cidade de Muniz Freire, no sul do Estado, ferveu durante a relização do V Mova Caparaó. A mostra audiovisual, que envolve 11 municipios capixabas da região do entorno do Parque Nacional do Caparaó, tem como objetivo exibir e premiar videos com a temática ambiental e promover a cidadania.
Promover o turismo da região cheia de atrativos é um outro objetivo do Mova Caparaó. Muniz Freire , por exemplo, foi construida num vale e esta cercada de belas paisagens, com cachoeiras e um relevo de contornos sinuosos.
Os filmes que concorreran na Mostra Caparoense foram realizados através de oficinas que antecedem o evento. Voltada para o público jovem da região do Caparaó, as oficinas já produziram 158 títulos de filmes digitais desde 2004. Uma forma de colocar a juventude do lugar para contar suas próprias histórias.
Este ano o Mova reuniu na mostra competitiva caparoense 11 documentários, que na opinião do juri superou as expectativas.
Realizadores de várias partes do país também participaram do evento e tiveram a oportunidade de trocar experiencias sobre suas produçoes. A realizadora capixaba Glecy Coutinho, que participou do encontro de realizadores falou sobre o seu documentário, que conta a história de jequitibá rosa ameaçado.
Mas quando o assunto é cinema e meio ambiente as crianças não poderiam ficar de fora. Uma oficina de animação, realizada pela artista plástica Eliza Queiroz e Fran Oliveira, fez criaçada soltar a imaginação e produzir seus próprios vídeos.
Lua cheia no céu e povo se reune na tenda, montada no parque de exposições da cidade, para prestigiar os filmes. É hora de penetrar no território das imagens e do sons. é a magia do cinema que vem encantando platéias de várias gerações.
Promover o turismo da região cheia de atrativos é um outro objetivo do Mova Caparaó. Muniz Freire , por exemplo, foi construida num vale e esta cercada de belas paisagens, com cachoeiras e um relevo de contornos sinuosos.
Os filmes que concorreran na Mostra Caparoense foram realizados através de oficinas que antecedem o evento. Voltada para o público jovem da região do Caparaó, as oficinas já produziram 158 títulos de filmes digitais desde 2004. Uma forma de colocar a juventude do lugar para contar suas próprias histórias.
Este ano o Mova reuniu na mostra competitiva caparoense 11 documentários, que na opinião do juri superou as expectativas.
Realizadores de várias partes do país também participaram do evento e tiveram a oportunidade de trocar experiencias sobre suas produçoes. A realizadora capixaba Glecy Coutinho, que participou do encontro de realizadores falou sobre o seu documentário, que conta a história de jequitibá rosa ameaçado.
Mas quando o assunto é cinema e meio ambiente as crianças não poderiam ficar de fora. Uma oficina de animação, realizada pela artista plástica Eliza Queiroz e Fran Oliveira, fez criaçada soltar a imaginação e produzir seus próprios vídeos.
Lua cheia no céu e povo se reune na tenda, montada no parque de exposições da cidade, para prestigiar os filmes. É hora de penetrar no território das imagens e do sons. é a magia do cinema que vem encantando platéias de várias gerações.
Premio de melhor Filme Mostra Competitiva Nacional - Terra Livre (Pernambuco)
Premio de melhor Filme Mostra Caparoense - Samba da Saudade (Iúna)
Por Carla Osório
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Black Music de primeira...

Nesta quinta-feira (3 de junho), a partir das 20 hs, para quem gosta de dançar e apreciar uma noite multicultural, venha para o Sou Black. Nesta segunda edição o projeto traz fotografia, pintura e Djs convidados, que busca difundir a cultura negra e chamar a atenção para os artistas contemporâneos capixabas.
A noite continua multicultural. O Dj residente Fábio Carvalho vai dividir a pick up com Regina Destefani e MC Adikto, atacando de Dj. Simone Monteiro e Saskia Sá ficaram encarregadas de mostrar a beleza da arte plástica produzindo obras, durante o evento, que podem ser comercializados. O espaço de moda ficou a cargo de Rogério Campos e Tiago Lacourt, da Samba Club Camisetas, e da designer de jóia Flávia Felipe, da Entre Elas Acessórios. Carla Osório também já confirmou presença com sua exposição de fotos “Negros do Espírito Santo”, agora lançada em CD ROM.
Compareçam e prestigiem....
serviço:
Quinta- feira 03 de julho de 2008
Jazz Café, localizado na Praia do Canto
covert R$ 10,00
terça-feira, 10 de junho de 2008
Um olhar lúdico sobre o nosso acervo iconográfico
Vitória Foto, o resgate do espaço político perdido pela fotografia no Espírito Santopor Cristina Moura
"É lento ensinar por teorias, mas breve e eficaz fazê-lo pelo exemplo." (Séneca)
O Vitória Foto conseguiu reunir, durante o mês passado e ainda com exposições abertas para a primeira quinzena deste mês, nomes importantes da fotografia dos cenários estadual, regional, nacional e internacional. No Espírito Santo, fotógrafos da nova geração estiveram atentos às discussões na área iconográfica e prontos para aprender com os veteranos, principalmente aqueles que conheceram (e viveram) o trabalho do Foto Clube, fundado em 1946.
Foto: Syã Fonseca
O material foi "absurdamente excelente", na avaliação de Carla Osório, coordenadora e produtora executiva do evento e nossa entrevistada deste final de semana. O evento contou com seis exposições simultâneas e oficinas gratuitas. O público teve acesso a trabalhos de renomados profissionais, como o carioca Walter Firmo, o capixaba Rogério Medeiros, além da presença da ONG Observatório de Favelas, do Rio de Janeiro, ligada à formação de fotógrafos na periferia.O evento foi surpreendente, segundo a coordenadora. Fotógrafa, jornalista, editora da TV Assembléia-ES, Carla se revela apaixonada pelos desafios da imagem. É mestre em Comunicação pela Unip (Universidade Paulista), com a dissertação "Imagens da intolerância na mídia", especialmente sobre a intolerância religiosa. A fotógrafa também é co-autora da obra "Negros do Espírito Santo" (1999) e organizadora de "81 anos de cinema", catálogo de filmes do Espírito Santo (2007).Até o próximo dia 15, ainda estarão abertas à visitação as exposições "Foto Clube do Espírito Santo", no Espaço de Artes do Bandes, Centro de Vitória; "Espírito Santo em Preto e Branco", de Rogério Medeiros, na Galeria Francisco Schwartz, Assembléia Legislativa, Enseada do Suá; e "Mulheres de Tucum", de Edson Chagas, na Aliança Francesa, Praia do Canto.
Século Diário: - Qual a sua avaliação sobre o Vitória Foto, um evento de grande porte na área da fotografia, em sua primeira edição?
Carla Osório: - Muito positiva. Deu muito trabalho para ser realizado, mas eu acho que o resultado... Quando eu falo em resultado positivo, falo, principalmente, em relação à presença do público, que surpreendeu muito. Para que a gente fale de sucesso de público, a gente tem que lembrar que a fotografia realizada no Espírito Santo tem uma qualidade muito boa. O Espírito Santo é uma terra marcada pela fotografia. Mesmo. Pensando em todo esse movimento em torno da fotografia, que começou na década de 20, nós, que realizamos o evento, sabíamos que o resultado ia ser muito bom. Mas, em relação ao público, pensávamos que estava muito afastado do público. Ou seria o público que estava afastado da fotografia? Pelo menos, em relação à fotografia de salão, de galeria, de exposição...
- Por que será que isso aconteceu?
Acho que houve uma interrupção, vamos dizer assim... no meio do caminho. Se pensarmos que a fotografia tem passado pelo público, se pensarmos a partir desse paradigma, acho que essa passagem da imagem de película, da condição analógica para a digital, deu uma certa freada nos eventos. Acho uma bobeira dizer que a fotografia perdeu seu status. Alguns poderiam dizer isso, mas eu acho que não. O público digital aumentou, o envolvimento dos fotógrafos com esse tipo de profissão ficou diferenciado, com aquelas propostas anteriores, com aqueles desejos de realizar uma proposta mais autoral, acho que diminuiu. Por outro lado, vejo menos fotógrafos realizando seus projetos pessoais. Bom, há um pessoal talentoso na área. O que é que faltava no Espírito Santo? Faltava espaço. Faltava um espaço cultural que a fotografia no Estado já tem, mas que precisava de um empurrãozinho.
Acho que houve uma interrupção, vamos dizer assim... no meio do caminho. Se pensarmos que a fotografia tem passado pelo público, se pensarmos a partir desse paradigma, acho que essa passagem da imagem de película, da condição analógica para a digital, deu uma certa freada nos eventos. Acho uma bobeira dizer que a fotografia perdeu seu status. Alguns poderiam dizer isso, mas eu acho que não. O público digital aumentou, o envolvimento dos fotógrafos com esse tipo de profissão ficou diferenciado, com aquelas propostas anteriores, com aqueles desejos de realizar uma proposta mais autoral, acho que diminuiu. Por outro lado, vejo menos fotógrafos realizando seus projetos pessoais. Bom, há um pessoal talentoso na área. O que é que faltava no Espírito Santo? Faltava espaço. Faltava um espaço cultural que a fotografia no Estado já tem, mas que precisava de um empurrãozinho.
- Por que só agora aconteceu esse tipo de evento? Ou já estava sendo gestado?
- Olha, eu, por exemplo, já sabia que, no ano passado, Apoena Medeiros queria fazer um projeto. Eu seria convidada para ficar na mesa. Depois, fiquei sabendo que o projeto não tinha ido para a frente, por falta de dinheiro mesmo, de uma produção executiva. Esse foi um ponto, mas houve outro problema que a fotografia passou, que foi a perda de espaço político dentro do meio cultural. A avaliação que eu fiz foi que o projeto não tinha ido para a frente porque a fotografia acabou disputando com outros meios... e perdendo! Como, por exemplo, para o audiovisual. A produção audiovisual no Espírito Santo, com produções na área de cinema, por exemplo, cresceu e a produção fotográfica diminuiu. Isso fez com que a gente perdesse espaço em vários nichos, nos movimentos culturais, junto a instituições governamentais. Não uma coisa premeditada, mas acho que esse tripé produção fotográfica-público-apoio se dissolveu num determinado momento. Para o evento acontecer precisou-se resgatar, retrabalhar esse tripé. Por isso a gente conseguiu levar, mostrar, junto com o projeto, para o institucional, para os governos, para as instituições públicas, que o projeto era bom, que o Espírito Santo conta com bons fotógrafos, e que a fotografia tem tudo para mostrar o Espírito Santo, levar o Espírito Santo para a frente e trazer pessoas importantes da área para o Estado. Reunimos um número bom de fotógrafos, com eventos que o público quer participar, mostrando que a fotografia do Espírito Santo vale a pena.
- Como foi trabalhar com duas gerações, reunindo dois tipos de público, os veteranos na fotografia e a safra mais jovem?
- Como foi trabalhar com duas gerações, reunindo dois tipos de público, os veteranos na fotografia e a safra mais jovem?
- Pois é. Uma vez eu tinha escutado que faltava uma linha para o Vitória Foto. 'Carla, você não acha que está faltando um tema que una as exposições?' Eu falei: 'É, pode ser'. Na verdade, acho que nesse primeiro Vitória Foto fizemos o melhor que podemos. O Foto Clube do Espírito Santo foi uma das maiores surpresas. Eu, por exemplo, nunca tinha tido acesso ao Foto Clube, não conhecia Seu Magid (Saad, um dos fundadores do Foto Clube)... Eu já tinha lido alguma coisa sobre a produção dele, mas nunca tinha tido contato real com ele. E foi surpreendente porque o Foto Clube tem verdadeiros militantes da fotografia. Vamos lembrar que eles estão aí há 42 anos militando pela fotografia! A ponto de transformar no que seria um hobby ou uma expressão artística na vida dessas pessoas. Seu Magid é uma prova disso. Trabalhou num banco e tal... mas, se alguém perguntar qual a profissão dele, ele vai dizer que é fotógrafo. Então, foi, assim, surpreendente lidar com essas pessoas e também com o acervo fotográfico que eles têm. Eu queria abrir parênteses para dizer que tenho produção na área de audiovisual, especialmente na área de cinema. No último ano, havíamos feito um levantamento de toda a produção de película de cinema do Espírito Santo, em "81 anos de cinema no Espírito Santo". E a gente se deparou com todo esse acervo de imagens de cinema no Espírito Santo muito desgastado, mal conservado, perdido... E na fotografia a gente está no meio do caminho. Isso é uma preocupação. Quando entramos em contato com os produtores, muitas vezes não encontramos. Não encontramos um material importante, pois muitos não estão mais aqui, outros estão bem velhinhos... Procuramos investigar em que condições está esse acervo. Por exemplo, o acervo do Foto Clube só existe porque seu Magid existe. Enfim, pudemos descobrir também que essa memória iconográfica do Espírito Santo precisa ser cuidada. Mas, ainda dentro da sua pergunta, foi muito bom saber que, dos fotógrafos mais jovens que trabalhamos, foram os que fizeram oficinas de fotografia do Observatório de Favelas (RJ), pessoas que tiveram contato com a fotografia pela primeira vez. Tivemos um resultado surpreendente. Com o Observatório de Favelas do Rio formamos 16 novos fotógrafos. E o material é absurdamente excelente! Fotógrafos muito bons, com olhares muito bons e um material excelente.
Como foi trabalhar com nomes de projetos conhecidos como o Observatório e com Walter Firmo, fotógrafo conhecido nacional e internacionalmente? Como foi promover esse intercâmbio?
- Olha, foi fácil porque o Espírito Santo é muito atrativo. Se você conversar com fotógrafos do Brasil inteiro, todo mundo conhece os fotógrafos capixabas. Alguns deles já vieram aqui, têm amigos aqui. Temos um cenário maravilhoso para fotografar, temos uma cultura maravilhosa para fotografar... Quem não quer vir ao Espírito Santo? Então, foi muito bom. A receptividade das pessoas foi, automaticamente, muito positiva, principalmente em saber que o Vitória Foto reabre esse espaço de fotografia no Espírito Santo.
- Quais são seus projetos futuros? Há algum específico na área de fotografia? O que pode ser revelado ao público?
- Olha, acho que sou a única fotógrafa que tinha fotos que seriam expostas no Vitória Foto e não conseguiu realizar (risos). Fiquei dividida entre coordenar e realizar. Preferi coordenar e contei com o apoio de pessoas maravilhosas, que foram Apoena Medeiros e Fred Pacífico, e tantos outros. Mas se esse tripé não existisse o projeto não existiria. Eu quero muito poder realizar essa minha exposição, que se chama 'Loucos por inclusão'. Quero trabalhar com 'loucos' de rua e quero mostrar essa face dessas pessoas. Por que as outras pessoas têm tanto medo delas? Quero trabalhar em grandes dimensões. Não sei se será para o próximo Vitória Foto, que é bienal, ou... não sei se será antes.
- Este ano... Ou ano que vem...- (risos) Ainda não sei.
- Este ano... Ou ano que vem...- (risos) Ainda não sei.
- O que você chama de 'grandes dimensões'?
- Grandes dimensões porque quero fazer em tamanho natural. Quero que as pessoas vejam o tamanho natural.
- O Vitória Foto contemplou a proposta de atrair mais pessoas ligadas à área de fotografia... Estamos falando de quem ainda não foi convidado...
- Sim, mas foi dentro de uma visão lúdica esse primeiro projeto. Acertamos bastante e erramos bastante. Nunca tínhamos feito nada antes parecido. Foi uma produção em vinte e poucos dias. Foi algo muito... intenso. Isso dá margem a erros. O segundo tem que ser repensado, no sentido do que pode ser mudado. Acho que tudo que é usado dentro de um modelo sempre aplicado, não gosto. Fica enjoativo, não é? Acho que para o próximo podemos pensar em rediscutir a proposta. Isso é importante, mas sempre 'linkados' com a idéia de trazer pessoas para o Estado. Algumas questões, como, por exemplo, um concurso fotográfico, não tivemos fôlego para realizar, e várias outras coisas. Seria um motivo a mais para a realização de fotografias no Espírito Santo.
- Inclusive, se o evento pensar num concurso, a produção executiva deverá pensar numa forma de premiação.
- Exato. Será maravilhoso realizar um evento incluindo um concurso com os olhares voltados para o Espírito Santo. Então, vamos conseguir produzir mais imagens aqui. E essas imagens já estão viajando, seja em blogs, fotologs ou mesmo em outras publicações, enfim... Outra coisa que acho que precisa muito no próximo Vitória Foto seria produzirmos um material, um catálogo. Por exemplo, essas imagens que colocamos, do Foto Clube, não estão em lugar nenhum. Seria interessante porque poderíamos oferecer essas imagens em catálogo para o Vitória Foto. São várias outras idéias que poderíamos anexar para outros eventos.
- Exato. Será maravilhoso realizar um evento incluindo um concurso com os olhares voltados para o Espírito Santo. Então, vamos conseguir produzir mais imagens aqui. E essas imagens já estão viajando, seja em blogs, fotologs ou mesmo em outras publicações, enfim... Outra coisa que acho que precisa muito no próximo Vitória Foto seria produzirmos um material, um catálogo. Por exemplo, essas imagens que colocamos, do Foto Clube, não estão em lugar nenhum. Seria interessante porque poderíamos oferecer essas imagens em catálogo para o Vitória Foto. São várias outras idéias que poderíamos anexar para outros eventos.
- O catálogo seria um bom cartão de visitas...
- Justamente. O convite que enviamos, em forma de cartão, muita gente guardou.
- Uma peça decorativa, emotiva.
- É, sim, amorosa... A fotografia gera sempre uma relação emotiva com a imagem materializada.
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