segunda-feira, 30 de junho de 2008

Black Music de primeira...


Nesta quinta-feira (3 de junho), a partir das 20 hs, para quem gosta de dançar e apreciar uma noite multicultural, venha para o Sou Black. Nesta segunda edição o projeto traz fotografia, pintura e Djs convidados, que busca difundir a cultura negra e chamar a atenção para os artistas contemporâneos capixabas.
A noite continua multicultural. O Dj residente Fábio Carvalho vai dividir a pick up com Regina Destefani e MC Adikto, atacando de Dj. Simone Monteiro e Saskia Sá ficaram encarregadas de mostrar a beleza da arte plástica produzindo obras, durante o evento, que podem ser comercializados. O espaço de moda ficou a cargo de Rogério Campos e Tiago Lacourt, da Samba Club Camisetas, e da designer de jóia Flávia Felipe, da Entre Elas Acessórios. Carla Osório também já confirmou presença com sua exposição de fotos “Negros do Espírito Santo”, agora lançada em CD ROM.
Compareçam e prestigiem....
serviço:
Quinta- feira 03 de julho de 2008
Jazz Café, localizado na Praia do Canto
covert R$ 10,00

terça-feira, 10 de junho de 2008

Um olhar lúdico sobre o nosso acervo iconográfico

Vitória Foto, o resgate do espaço político perdido pela fotografia no Espírito Santo

por Cristina Moura

"É lento ensinar por teorias, mas breve e eficaz fazê-lo pelo exemplo." (Séneca)

O Vitória Foto conseguiu reunir, durante o mês passado e ainda com exposições abertas para a primeira quinzena deste mês, nomes importantes da fotografia dos cenários estadual, regional, nacional e internacional. No Espírito Santo, fotógrafos da nova geração estiveram atentos às discussões na área iconográfica e prontos para aprender com os veteranos, principalmente aqueles que conheceram (e viveram) o trabalho do Foto Clube, fundado em 1946.
Foto: Syã Fonseca
O material foi "absurdamente excelente", na avaliação de Carla Osório, coordenadora e produtora executiva do evento e nossa entrevistada deste final de semana. O evento contou com seis exposições simultâneas e oficinas gratuitas. O público teve acesso a trabalhos de renomados profissionais, como o carioca Walter Firmo, o capixaba Rogério Medeiros, além da presença da ONG Observatório de Favelas, do Rio de Janeiro, ligada à formação de fotógrafos na periferia.O evento foi surpreendente, segundo a coordenadora. Fotógrafa, jornalista, editora da TV Assembléia-ES, Carla se revela apaixonada pelos desafios da imagem. É mestre em Comunicação pela Unip (Universidade Paulista), com a dissertação "Imagens da intolerância na mídia", especialmente sobre a intolerância religiosa. A fotógrafa também é co-autora da obra "Negros do Espírito Santo" (1999) e organizadora de "81 anos de cinema", catálogo de filmes do Espírito Santo (2007).Até o próximo dia 15, ainda estarão abertas à visitação as exposições "Foto Clube do Espírito Santo", no Espaço de Artes do Bandes, Centro de Vitória; "Espírito Santo em Preto e Branco", de Rogério Medeiros, na Galeria Francisco Schwartz, Assembléia Legislativa, Enseada do Suá; e "Mulheres de Tucum", de Edson Chagas, na Aliança Francesa, Praia do Canto.
Século Diário: - Qual a sua avaliação sobre o Vitória Foto, um evento de grande porte na área da fotografia, em sua primeira edição?
Carla Osório: - Muito positiva. Deu muito trabalho para ser realizado, mas eu acho que o resultado... Quando eu falo em resultado positivo, falo, principalmente, em relação à presença do público, que surpreendeu muito. Para que a gente fale de sucesso de público, a gente tem que lembrar que a fotografia realizada no Espírito Santo tem uma qualidade muito boa. O Espírito Santo é uma terra marcada pela fotografia. Mesmo. Pensando em todo esse movimento em torno da fotografia, que começou na década de 20, nós, que realizamos o evento, sabíamos que o resultado ia ser muito bom. Mas, em relação ao público, pensávamos que estava muito afastado do público. Ou seria o público que estava afastado da fotografia? Pelo menos, em relação à fotografia de salão, de galeria, de exposição...
- Por que será que isso aconteceu?

Acho que houve uma interrupção, vamos dizer assim... no meio do caminho. Se pensarmos que a fotografia tem passado pelo público, se pensarmos a partir desse paradigma, acho que essa passagem da imagem de película, da condição analógica para a digital, deu uma certa freada nos eventos. Acho uma bobeira dizer que a fotografia perdeu seu status. Alguns poderiam dizer isso, mas eu acho que não. O público digital aumentou, o envolvimento dos fotógrafos com esse tipo de profissão ficou diferenciado, com aquelas propostas anteriores, com aqueles desejos de realizar uma proposta mais autoral, acho que diminuiu. Por outro lado, vejo menos fotógrafos realizando seus projetos pessoais. Bom, há um pessoal talentoso na área. O que é que faltava no Espírito Santo? Faltava espaço. Faltava um espaço cultural que a fotografia no Estado já tem, mas que precisava de um empurrãozinho.
- Por que só agora aconteceu esse tipo de evento? Ou já estava sendo gestado?
- Olha, eu, por exemplo, já sabia que, no ano passado, Apoena Medeiros queria fazer um projeto. Eu seria convidada para ficar na mesa. Depois, fiquei sabendo que o projeto não tinha ido para a frente, por falta de dinheiro mesmo, de uma produção executiva. Esse foi um ponto, mas houve outro problema que a fotografia passou, que foi a perda de espaço político dentro do meio cultural. A avaliação que eu fiz foi que o projeto não tinha ido para a frente porque a fotografia acabou disputando com outros meios... e perdendo! Como, por exemplo, para o audiovisual. A produção audiovisual no Espírito Santo, com produções na área de cinema, por exemplo, cresceu e a produção fotográfica diminuiu. Isso fez com que a gente perdesse espaço em vários nichos, nos movimentos culturais, junto a instituições governamentais. Não uma coisa premeditada, mas acho que esse tripé produção fotográfica-público-apoio se dissolveu num determinado momento. Para o evento acontecer precisou-se resgatar, retrabalhar esse tripé. Por isso a gente conseguiu levar, mostrar, junto com o projeto, para o institucional, para os governos, para as instituições públicas, que o projeto era bom, que o Espírito Santo conta com bons fotógrafos, e que a fotografia tem tudo para mostrar o Espírito Santo, levar o Espírito Santo para a frente e trazer pessoas importantes da área para o Estado. Reunimos um número bom de fotógrafos, com eventos que o público quer participar, mostrando que a fotografia do Espírito Santo vale a pena.

- Como foi trabalhar com duas gerações, reunindo dois tipos de público, os veteranos na fotografia e a safra mais jovem?
- Pois é. Uma vez eu tinha escutado que faltava uma linha para o Vitória Foto. 'Carla, você não acha que está faltando um tema que una as exposições?' Eu falei: 'É, pode ser'. Na verdade, acho que nesse primeiro Vitória Foto fizemos o melhor que podemos. O Foto Clube do Espírito Santo foi uma das maiores surpresas. Eu, por exemplo, nunca tinha tido acesso ao Foto Clube, não conhecia Seu Magid (Saad, um dos fundadores do Foto Clube)... Eu já tinha lido alguma coisa sobre a produção dele, mas nunca tinha tido contato real com ele. E foi surpreendente porque o Foto Clube tem verdadeiros militantes da fotografia. Vamos lembrar que eles estão aí há 42 anos militando pela fotografia! A ponto de transformar no que seria um hobby ou uma expressão artística na vida dessas pessoas. Seu Magid é uma prova disso. Trabalhou num banco e tal... mas, se alguém perguntar qual a profissão dele, ele vai dizer que é fotógrafo. Então, foi, assim, surpreendente lidar com essas pessoas e também com o acervo fotográfico que eles têm. Eu queria abrir parênteses para dizer que tenho produção na área de audiovisual, especialmente na área de cinema. No último ano, havíamos feito um levantamento de toda a produção de película de cinema do Espírito Santo, em "81 anos de cinema no Espírito Santo". E a gente se deparou com todo esse acervo de imagens de cinema no Espírito Santo muito desgastado, mal conservado, perdido... E na fotografia a gente está no meio do caminho. Isso é uma preocupação. Quando entramos em contato com os produtores, muitas vezes não encontramos. Não encontramos um material importante, pois muitos não estão mais aqui, outros estão bem velhinhos... Procuramos investigar em que condições está esse acervo. Por exemplo, o acervo do Foto Clube só existe porque seu Magid existe. Enfim, pudemos descobrir também que essa memória iconográfica do Espírito Santo precisa ser cuidada. Mas, ainda dentro da sua pergunta, foi muito bom saber que, dos fotógrafos mais jovens que trabalhamos, foram os que fizeram oficinas de fotografia do Observatório de Favelas (RJ), pessoas que tiveram contato com a fotografia pela primeira vez. Tivemos um resultado surpreendente. Com o Observatório de Favelas do Rio formamos 16 novos fotógrafos. E o material é absurdamente excelente! Fotógrafos muito bons, com olhares muito bons e um material excelente.

Como foi trabalhar com nomes de projetos conhecidos como o Observatório e com Walter Firmo, fotógrafo conhecido nacional e internacionalmente? Como foi promover esse intercâmbio?
- Olha, foi fácil porque o Espírito Santo é muito atrativo. Se você conversar com fotógrafos do Brasil inteiro, todo mundo conhece os fotógrafos capixabas. Alguns deles já vieram aqui, têm amigos aqui. Temos um cenário maravilhoso para fotografar, temos uma cultura maravilhosa para fotografar... Quem não quer vir ao Espírito Santo? Então, foi muito bom. A receptividade das pessoas foi, automaticamente, muito positiva, principalmente em saber que o Vitória Foto reabre esse espaço de fotografia no Espírito Santo.
- Quais são seus projetos futuros? Há algum específico na área de fotografia? O que pode ser revelado ao público?
- Olha, acho que sou a única fotógrafa que tinha fotos que seriam expostas no Vitória Foto e não conseguiu realizar (risos). Fiquei dividida entre coordenar e realizar. Preferi coordenar e contei com o apoio de pessoas maravilhosas, que foram Apoena Medeiros e Fred Pacífico, e tantos outros. Mas se esse tripé não existisse o projeto não existiria. Eu quero muito poder realizar essa minha exposição, que se chama 'Loucos por inclusão'. Quero trabalhar com 'loucos' de rua e quero mostrar essa face dessas pessoas. Por que as outras pessoas têm tanto medo delas? Quero trabalhar em grandes dimensões. Não sei se será para o próximo Vitória Foto, que é bienal, ou... não sei se será antes.

- Este ano... Ou ano que vem...- (risos) Ainda não sei.
- O que você chama de 'grandes dimensões'?
- Grandes dimensões porque quero fazer em tamanho natural. Quero que as pessoas vejam o tamanho natural.
- O Vitória Foto contemplou a proposta de atrair mais pessoas ligadas à área de fotografia... Estamos falando de quem ainda não foi convidado...
- Sim, mas foi dentro de uma visão lúdica esse primeiro projeto. Acertamos bastante e erramos bastante. Nunca tínhamos feito nada antes parecido. Foi uma produção em vinte e poucos dias. Foi algo muito... intenso. Isso dá margem a erros. O segundo tem que ser repensado, no sentido do que pode ser mudado. Acho que tudo que é usado dentro de um modelo sempre aplicado, não gosto. Fica enjoativo, não é? Acho que para o próximo podemos pensar em rediscutir a proposta. Isso é importante, mas sempre 'linkados' com a idéia de trazer pessoas para o Estado. Algumas questões, como, por exemplo, um concurso fotográfico, não tivemos fôlego para realizar, e várias outras coisas. Seria um motivo a mais para a realização de fotografias no Espírito Santo.
- Inclusive, se o evento pensar num concurso, a produção executiva deverá pensar numa forma de premiação.

- Exato. Será maravilhoso realizar um evento incluindo um concurso com os olhares voltados para o Espírito Santo. Então, vamos conseguir produzir mais imagens aqui. E essas imagens já estão viajando, seja em blogs, fotologs ou mesmo em outras publicações, enfim... Outra coisa que acho que precisa muito no próximo Vitória Foto seria produzirmos um material, um catálogo. Por exemplo, essas imagens que colocamos, do Foto Clube, não estão em lugar nenhum. Seria interessante porque poderíamos oferecer essas imagens em catálogo para o Vitória Foto. São várias outras idéias que poderíamos anexar para outros eventos.
- O catálogo seria um bom cartão de visitas...
- Justamente. O convite que enviamos, em forma de cartão, muita gente guardou.
- Uma peça decorativa, emotiva.
- É, sim, amorosa... A fotografia gera sempre uma relação emotiva com a imagem materializada.

domingo, 25 de maio de 2008

Observatório de Favelas expõe fotos em Vitória



Foto e Cidadania

A fotografia nos faz recordar histórias, reviver momentos, pessoas... E muito além disso, o projeto Observatório de Favelas, lá do Rio de Janeiro, traz para a Ilha das Caieiras, um novo objetivo para a fotografia, o de promover a cidadania através das lentes.

Durante três dias, a equipe do observatório ofereceu uma oficina para crianças e adolescentes. O tempo foi curto, mas suficiente para encantar os participantes que, cada um com seu equipamento, procurava, pelas ruas de São Pedro, imagens a serem eternizadas. "O objetivo principal é despertar a curiosidade e a sensibilidade do olhar desses jovens para o que está a sua volta. Além disso a fotografia desperta senso crítico que também é muito importante para o ser humano" afirma o instrutor Fábio Caffé.

O trabalho não acaba quando se aprende a fotografar. "Eu e o Ratão fomos alunos do Observatório lá no Rio e hoje somos professores. Existe também o caráter multiplicador e nós, hoje educadores viajamos para dar oficinas nos mais diversos lugares" conta Caffé.

Depois de muitos cliques o instrutor Ratão Diniz, inicia o processo de edição e escolha do material que será exposto como resultado da oficina. "A galera tá de parabéns. Tem muita gente boa aqui" se orgulha Ratão.

As fotos foram expostas no pier da Ilha das Caieiras com projeção na parede de uma das casas. O cenário ideal. Jenifer (13), Carlos (15), Jessé (14) e Indiara (16), alunos da oficina, com olhares atentos, vibravam a cada foto estampada no muro. De fundo o som do grupo Barbatuque fez a trilha musical do momento. "Eu que nunca tirei foto fico muito feliz em poder retratar o nosso bairro, esse lugar. E ver as pessoas tirando foto me orgulha e mostra que posso ser fotógrafa um dia" conta Indiara.

Todo esse movimento das Caieiras faz parte de um projeto ainda maior, o Vitória Foto, que almeja transformar maio, o mês da fotografia na cidade. "Até 15 de junho acontece um verdadeiro circuito por espaços culturais e urbanos com fotografias para todos os gostos" convida a organizadora do evento, Carla Osório.

Exposições

Abstrato Extrato - Walter Firmo (RJ)
Abertura dia 8 de maio, a partir das 20 horas, na Galeria Homero Massena - Rua Pedro Palácios, 99, Cidade Alta, Vitória. Visitação do dia 9 de maio a 6 de junho.

Guaramare: no mundo de Vicente Bojovski - André Alves (ES)
Abertura no dia 13 de maio, às 19 horas, no Studio Base 40 - Av. Maruípe, 40, Fradinhos. Visitação do dia 14 a 30 de maio.

Espírito Santo em Preto e Branco - Rogério Medeiros (ES)
Abertura dia 15 de maio, a partir das 19 horas, na Galeria Francisco Schwartz, na Assembléia Legislativa - Av. Américo Buaiz, 205, Enseada do Suá. Visitação de 16 de maio a 15 de junho.

A Favela vê a Favela - Observatório de Favelas (RJ)
Abertura no dia 17 de maio, a partir das 15 horas, no Píer da Ilha das Caieiras, Rua Felicidade Correia dos Santos s/n - Ilha das Caieiras, Vitória. Visitação até 1 de junho.

Foto Clube do Espírito Santo - Coletiva de fotoclubistas
Abertura dia 20 de maio, a partir das 19 horas, no Espaço de Arte do Bandes -Av. Princesa Isabel, 54, Centro, Vitória. Visitação de 21 de maio a 15 de junho.

Mulheres de Tucum - Edson Chagas (ES)
Abertura dia 30 de maio, a partir das 20 horas, na Aliança Francesa - rua Alaor Queiroz de Araújo, 200, Enseada do Suá, Vitória.
Visitação de 2 a 15 de junho.
24/05/2008 Foto e Cidadania - Matéria publicada na pg do Programa Em Movimento

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Morre Dinha do acarajé - a Bahia perde um de seus ícones


16/05/2008 10:42
Dinha: preferida de famosos e mãe guerreira


A sorridente Lindinalva Assis tornou-se uma figura símbolo do Rio Vermelho, bairro da capital baiana que ganhou fama como reduto da boemia. Mais conhecida como Dinha, a baiana de acarajé começou a trabalhar aos 7 anos de idade, como ajudante da avó, Ubaldina, três anos após a morte da mãe, Rute. Ubaldina escolheu, em 1944, o Largo de Santana para montar o primeiro tabuleiro da família.
Aos dez anos de idade, com a doença da avó, Dinha assumiu o posto. Aos poucos, foi conquistando o público e consolidou seu produto como “o melhor acarajé da Bahia”. Na década de 1980, começou a excursionar pelo país e chegou a levar o acarajé ao exterior, participando de eventos como representante das baianas de acarajé.
A partir de 1998, a já consagrada quituteira passou a se dedicar a outro empreendimento da família. O restaurante Casa da Dinha, localizado em frente à praça onde fica o tabuleiro, é fruto do trabalho que rendeu à baiana a criação dos três filhos - Eliana Claudia Assis Cruz, Elaine Michele Assis Cruz e Edvaldo da Cruz Júnior - e garantiu para o Rio Vermelho o título de “point do acarajé”.
Depois de anos de trabalho, Dinha pôde se considerar uma baiana aposentada. Sua filha mais velha, Claudia, assumiu o posto na Praça de Santana, onde chegou a vender uma média de 700 acarajés por dia, além de outras iguarias como abará, bolinho de estudante e cocadas. Cláudia é formada em Ciências Contábeis, mas fez do tabuleiro também sua profissão.
Clientes famosos - Antes de criar o restaurante, era na praça que Dinha recebia os clientes famosos que ajudaram a consolidar o seu nome. Pierre Verger, Chacrinha, Suzana Vieira, Dercy Gonçalves, Mário Cravo, Dorival Caymmi, Daniela Mercury, Carlinhos Brown e o senador Antônio Carlos Magalhães já passaram por lá.
Alguns famosos entraram não apenas na fila de clientes, mas no hall de amigos de Dinha, como os escritores Jorge Amado e Zélia Gattai, o publicitário Nizan Guanes e a empresária do ramo de alimentação, Lícia Fábio.
A imagem que deixa para os amigos e familiares é de uma mãe guerreira que, sozinha, criou os três filhos, sempre com o ofício que aprendeu ainda na infância. A luta sempre fez parte de sua vida, o que a levou a superar o estigma da mulher negra, pobre e destinada ao fracasso.
Para toda a família, sempre foi considerada um porto seguro, e será lembrada como uma grande mãe. Para muitos funcionários que passaram pelo tabuleiro, também foi mãe, aquele que acolhe, acompanha, e vibra com o sucesso. Aos admiradores e "sobrinhos", que cativou sempre carinhosamente apelidando a todos de "meu filho", Dinha deixa a saudade do sorriso fácil e largo.
Clarissa Borges, do A TARDE On Line

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O ESPÍRITO SANTO EM PRETO E BRANCO - exposição de Rogério Medeiros


Dualidades que emergem no tempo e permeiam a história do Espírito Santo. Um Estado marcado pela diversidade dos muitos povos que o formam. São diferenças étnicas, geográficas e culturais, que de tão distintas, se assemelham. Conformes na relação de troca e respeito com a terra estrangeira que adquiriu o papel de lar. Iguais na perseverança e na comunhão social. Diferentes nos costumes, cores e tradições. Diversidades que se mantiveram e se mantêm a base de muito suor, trabalho, lágrimas e memórias que não desejam desaparecer.
O Espírito Santo em Preto e Branco, de Rogério Medeiros, traz à tona essa dualidade inseparável. Uma parte da complexidade do mosaico étnico do Estado se reflete nas imagens aqui apresentadas e sua distinção é harmonizada pelas lentes do fotógrafo. Suas diferenças tão evidentes se apresentam em análogas situações cotidianas. Os negros e brancos retratados são oriundos europeus e de quilombos. Juntos integram os diferentes biótipos capixabas e compõem um painel étnico nacional, sintetizado em um único território.
É a alegria de uma brincadeira, ou a beleza contida no olhar de uma criança. É a descontração das manifestações culturais, que com um pouco de música e diversão tentam abrandar a dureza do dia-a-dia. Ou a sabedoria marcada pelo tempo na pele dos mais velhos. Na mandioca ou no café, as mãos que ajudaram a construir o Espírito Santo. É a família que unida pelo trabalho vence as diversidades, ou a dor da despedida de um ente querido que, de certa forma, sempre iguala a humanidade.